Os filtros são elementos ópticos transparentes ou translúcidos que alteram as propriedades da luz que entra pelas lentes da câmera, com o propósito de melhorar a imagem que está sendo registrada. Os filtros podem alterar o contraste, a definição, os flare em alta luz, a cor e a intensidade da luz, tanto individualmente quanto em várias combinações. Eles também podem criar uma variedade de "efeitos especiais". É importante reconhecer que, mesmo havendo muitas variações e aplicações que podem até ser confusas, todos os filtros se comportam numa maneira razoavelmente previsível, quando suas propriedades são compreendidas e experimentadas. A maioria dessas propriedades se comporta de modo semelhante no uso dos filtros nas imagens em película e em vídeo. O texto seguinte explicará as características ópticas básicas dos filtros Tiffen e de alguns outros tipos de filtros, bem como seus usos. Essas informações são bases sobre as quais se constroem experiências. Dados textuais não podem dar informações completas. Há sempre algo novo lá fora.
Nos seus usos mais bem sucedidos, o efeito dos filtros se mescla com o restante da imagem, para ajudar uma mensagem a ser compreendida. Tenha cuidado quando usar um filtro de modo que ele chame atenção a si mesmo como efeito. Combinado com todos os outros elementos formadores da imagem, os filtros fazem declarações visuais, manipulam emoções e pensamentos e tornam crível aquilo que não seria de outro modo. Eles fazem o espectador se envolver.
Planejamento dos Filtros
Os efeitos dos filtros podem ser um elemento fundamental no "look" de um filme, se considerados nas etapas de planejamento. Eles também podem fornecer uma correção crucial de última hora para problemas inesperados, se você os tiver em mãos. Quando possível, é aconselhável fazer testes prévios para situações pré-concebidas, se houver tempo.
Fator Filtro
Muitos tipos de filtros absorvem luz, que deve ser compensada quando se calcula a exposição. Eles têm um fator filtro (filter factor) recomendado e um 'stop value'. O fator filtro é um múltiplo da exposição não-filtrada. O stop value é acrescentado ao diafragma a ser usado sem o filtro. Quando se usa mais de um filtro, deve-se somar seus stop values. Cada ponto de diafragma acrescentado representa o dobro de exposição; assim, um fator filtro de 2 é igual a um ponto acrescentado no diafragma. Por exemplo: três filtros de um stop cada precisarão de três pontos adicionais de diafragma, ou de um fator filtro de 2x2x2=8 vezes a exposição sem filtragem.
Quando tiver dúvidas, em campo, sobre qual a compensação necessária para um filtro sobre qual você não tem nenhuma informação, use seu fotômetro com o bulbo de luz incidente removido. Se tiver um difusor plano, use-o; ou então, deixe o sensor descoberto. Dirija-o a uma fonte de luz estável de intensidade suficiente. Um bom exemplo é, a partir do chão, virar o fotômetro para o céu sem nuvens. Faça uma medição sem o filtro. Tome cuidado com sua própria sombra. Faça uma outra medição com o filtro cobrindo totalmente o sensor. Nenhuma luz pode entrar pelos lados. A diferença nas medições é a compensação necessária para esse filtro. Você também pode usar um spotmeter, e ler a mesma superfície iluminada, com resultados semelhantes. Há algumas exceções para isso, de acordo com a cor do filtro, a sensibilidade do fotômetro e a cor da superfície, mas no geral, isso é melhor do que tentar adivinhar.
Graus dos Filtros
Muitos tipos de filtros são disponíveis numa gama de "graus" de diferentes intensidades. Isto permite que se escolha a intensidade do efeito a ser usado para diferentes situações. O número de graus pode variar com o tipo de efeito, e geralmente quanto maior for o número, mais forte será o efeito. A não ser que haja especificações, não há nenhuma relação matemática entre o número e a intensidade do efeito. Um grau 4 não é duas vezes mais forte que o grau 2. O grau 1 mais o grau 4 não formam um grau 5.
Filtros para Filme Colorido e P&B
Filtros Ultravioleta
O filme, tanto quanto o vídeo, pode apresentar uma maior sensibilidade àquilo que é invisível para nós - a luz ultravioleta. Isso acontece geralmente em exteriores, em especial em grandes altitudes, onde a atmosfera que absorve o UV é mais rarefeita, e em cenas a longa distância, como paisagens marítimas. A luz UV pode se mostrar como uma cor azulada em filmes coloridos, ou pode causar uma "neblina" de baixo contraste que diminui os detalhes, em especial nos objetos vistos a longa distância, tanto no filme colorido como no p&b. Os filtros ultravioleta absorvem a luz UV, geralmente sem afetar a luz no espectro visível.
É importante distinguir a névoa gerada pela radiação UV daquela formada por partículas em suspensão no ar, como smog ou cerração. Estes últimos são feitos de matéria opaca que absorve tanto a luz visível quanto a UV, e não serão propriamente removida pelo filtro UV.
Filtros ultravioleta são disponíveis numa variedade de níveis de absorção, geralmente medida por sua porcentagem de transmissão a 400 nanometros (nm), o limite de comprimento de ondas entre a luz visível e a UV. Use um filtro que transmita zero por cento a 400nm, como o Tiffen Haze 2, para cenas aéreas e a longa distância; o Tiffen Haze 1, que transmite 29% a 400 nm, é o suficiente para situações comuns.
Filtros Infra-Vermelho
Certas situações especiais pedem o uso de filmes coloridos ou p&b sensíveis a infra-vermelho. Ao entrar em meio à neblina, ao filmar efeitos de calor e em outros usos, eles são inestimáveis. No entanto, a cor e o rendimento de tons desses filmes são muito diferentes dos outros tipos de filme (consulte os fabricantes de películas para ter mais detalhes). Vários filtros são usados para reduzir o nível de luz visível não-desejada. Filtros vermelhos, laranjas e amarelos, como aqueles usados para filme preto-e-branco pancromático podem melhorar o contraste e alterar a cor. A absorção total da luz visível, com transmissão somente de luz infra-vermelha, como acontece com os filtros Wratten #87 ou #89, também podem ser úteis. Os resultados variam de acordo com o tipo de filme e com outros fatores. Testes prévios para a maioria das situações são fundamentais.
Filtros de Densidade Neutra
Quando se deseja manter uma determinada abertura de diafragma, para ter mais definição de imagem ou uma profundidade de campo em particular, ou simplesmente para obter a exposição apropriada quando encontrar muita intensidade de luz, use um filtro de densidade neutra (ND). Ele absorverá a intensidade da luz em todo o espectro visível, alterando a exposição com eficiência , sem que seja necessário mudar a abertura da lente e sem alteração de cores.
Os filtros de densidade neutra são indicados por um valor de densidade (óptico). A densidade é definida pelo logaritmo com base 10, de opacidade. A opacidade (o grau de absorção) de um filtro é o inverso (inversamente proporcional) do seu grau de transmissão. Como exemplo: um filtro com a compensação de um ponto de diafragma (ou de um stop) tem Transmissão de 50%, ou 0,5 vezes a intensidade original da luz. O inverso da Transmissão, que é 0.5, é 2. O log com base 10, de 2 é aproximadamente 0,3, que é o valor da densidade nominal. O benefício de usar os valores de densidade (ou density values) é que eles podem ser adicionados, quando forem combinados. Dessa forma, dois filtros ND 0.3 têm um valor de densidade de 0.6. No entanto, suas transmissões combinadas são encontradas pela multiplicação de 0,5 X 0,5 = 0,25, ou seja, 25% da intensidade original da luz.
Os filtros de densidade neutra também são disponíveis em combinação com outros filtros. Já que é preferível minimizar o número de filtros usados (veja a seção sobre o uso de mais de um filtro), combinações comuns, tais como o Wratten 85 (filtro de conversão de luz do dia - daylight - para luz artificial - tungstênio) com o filtro ND, são encontradas em um só filtro, como no 85N6. Neste caso, o valor de dois pontos de diafragma do filtro ND.6 é adicionado à compensação da exposição necessária para o filtro 85 puro.
Color-Grad - Filtros ND Graduados
Algumas vezes, é necessário, ou desejável, balancear a intensidade da luz em uma parte da cena em relação a outra parte, em situações em que você não tem controle total da luz, como em exteriores com muito brilho. Expor de acordo com a imagem principal vai resultar em um céu lavado e super-exposto. Expor de acordo com o céu deixará a imagem de frente escura e sub-exposta.
Os filtros ND Color-Grad são metade transparentes (clear) e metade densidade neutra, com um limite de transição bem suave entre as duas áreas. Isto permite que a transição se mescle com a cena, às vezes de modo imperceptível. Um ND.6/clear, com uma diferença de dois pontos de diafragma, no geral compensará o brilho médio entre fundo e figura (céu e imagem principal).
Estes filtros também são encontrados em combinação de cores, como no caso de um filtro que seja, por exemplo, um Wraten 85, com uma metade combinada com um filtro graduado de densidade neutra. É o caso do 85/85N.6. Isso permite que um filtro substitua o uso de dois filtros.
Filtros Color-Grad geralmente vêm em três tipos de transição. O mais usado é o de gradação "soft" (suave). Ele tem uma área de transição larga o suficiente para se mesclar suavemente na maioria das cenas, mesmo naquelas feitas com lentes grande-angulares (que tendem a tornar mais "estreita" a transição dentro da imagem). Uma lente de maior distância focal, no entanto, pode registrar a imagem somente do centro da transição. Neste caso, ou quando a mescla deve se localizar num local estreito e bem definido, use uma gradação "hard" (dura). Ela é ideal para horizontes marítimos sem figuras de frente. Para situações em que é necessária uma mescla extremamente gradual, um "atenuador" pode ser usado. Ele modifica a densidade ao longo de praticamente toda sua extensão.
A chave para obter os melhores resultados com um filtro Color-Grad é deixar o efeito de mescla do modo mais natural possível. Mantenha o filtro próximo à lente, para maximizar a suavidade da transição. Evite ter, na imagem, objetos que atravessem a transição e que possam enfatizar a presença do filtro. Não mova a câmera, a não ser que a transição possa se manter num alinhamento apropriado com a imagem ao longo de todo o movimento. Faça todos os ajustes de posicionamento através de um visor reflex, na abertura a ser usada, já que a largura aparente da gradação é afetada pela mudança de diagragma.
Os filtros Color-Grad são melhor aproveitados em formato quadrado ou retangular, num pára-sol com porta-filtros que tenha movimentos de rotação e deslize. Isso permite a colocação apropriada da transição dentro da sua imagem. Eles podem ser usados em série, por exemplo, de modo que um deles afete a metade superior da imagem, e que o outro afete a parte inferior da imagem. A área central também pode se sobrepor, criando uma faixa de combinação de efeitos no centro da imagem, principalmente com filtros graduados de diferentes cores (veja a seção sobre "Color-Grad - Filtros Coloridos Graduados")
Filtros Polarizadores
Os polarizadores permitem o realce da cor e do contraste, bem como o controle dos reflexos, usando princípios ópticos diferentes de qualquer outro tipo de filtro. A maior parte da luz que registramos é refletida, assumindo sua cor e intensidade com base nos objetos para os quais olhamos. A luz branca, como a luz do sol, parece ser azul ao se refletir num objeto azul, porque todas as outras cores são absorvidas por esse objeto. Uma pequena parte da luz refletida sai do objeto sem ser absorvida e colorida, retendo a cor original (geralmente branca) de sua fonte. Com uma intensidade de luz suficiente, tal como em luz do sol externa, esse brilho refletido tem o efeito de lavar a saturação de cor do objeto. Acontece que, para muitas superfícies, o brilho refletido que não desejamos é polarizado, enquanto o reflexo colorido desejado não é polarizado.
A descrição da onda de luz define a luz não-polarizada como aquela que vibra em todas direções de 3601 ao redor de seu trajeto. A luz polarizada é definida por vibrar somente em uma única direção. Um filtro polarizador deixa a luz passar em somente uma direção de vibração. Geralmente, ele é usado em um porta-filtro giratório, para permitir que o alinhamento seja feito de acordo com as necessidades. No nosso exemplo acima, se ele estiver alinhado de forma perpendicular ao plano da vibração do brilho refletido polarizado, o brilho será absorvido. O restante da luz, o reflexo realmente colorido, vibrando em todas as direções, passará pelo filtro, não importa em que sentido o filtro polarizador esteja virado. O resultado é que as cores ficarão mais saturadas, ou mais escuras. Este efeito varia de acordo com a rotação do polarizador no porta-filtro, produzindo uma gama de efeitos, desde a polarização total até a polarização nula.
Os polarizadores são especialmente úteis para aumentar a saturação de cor e o contraste geral de cenas externas. Os polarizadores podem escurecer o céu - uma aplicação fundamental - tanto em filme preto-e-branco quanto em filme colorido, mas há vários fatores a serem lembrados quando fazemos isso. Para começar, para aumentar o azul do céu, é preciso que o céu esteja azul - e não branco ou nublado. A polarização também depende dos ângulos de incidência. As áreas de azul mais profundo são determinadas pela chamada 'regra do dedão'. Quando posicionar a câmera para uma cena em exterior, faça um ângulo reto com o polegar e o indicador. Aponte o indicador para o sol. A área de azul mais profundo será a faixa desenhada pelo seu polegar, ao rodá-lo em torno do eixo de seu indicador, dirigindo o polegar de horizonte a horizonte. Em geral, à medida em que você apontar a câmera para mais próximo ou mais distante do sol, o efeito diminuirá gradualmente. Não há efeito nenhum na direção exata do sol ou longe do sol. Não faça movimentos de pan com o polarizador sem antes checar se a mudança do ângulo de câmera não cria mudanças indesejáveis e perceptíveis na cor e na saturação. Além disso, com lentes muito grande-angulares, a área de azul mais profundo pode surgir como uma faixa distinta e mais escura no céu. É melhor evitar ambas as situações. Em todo caso, o efeito do polarizador é visível quando se olha através dele.
Os polarizadores precisam de aproximadamente 1+1/2 a 2 pontos de compensação no diafragma, sem importar o sentido da rotação em que se encontre ou o objeto registrado. Eles também são disponíveis em combinação com certos filtros de conversão padrão, tal como o 85BPOL. Neste caso, some a compensação do polarizador com a do segundo filtro.
Os sistemas ópticos de certas câmeras empregam superfícies internas que já polarizam a luz por si mesmas. Usar um polarizador padrão (linear) fará com que a luz seja ainda mais absorvida pela óptica interna, dependendo da orientação relativa. Um Polarizador Circular é um filtro linear ao qual foi acrescentado, na superfície voltada para a câmera, um 'retardador' de ondas. Ele 'entorta' o plano da polarização, despolarizando-o, e eliminando o problema. Fora isso, o Polarizador Circular funciona da mesma maneira que os outros.
Os polarizadores também podem controlar reflexos indesejáveis de superfícies como vidro e água. Para melhores resultados, fique num ângulo de 32 a 34 graus em relação à superfície reflexiva. Olhar através do polarizador enquanto o giramos vai demonstrar o efeito. Nem sempre é aconselhável retirar todos os reflexos. Deixar um reflexo mínimo vai preservar o senso de contexto de uma imagem em primeiro plano através da superfície refletora. Um primeiro plano de um sapo na água parecerá ser somente um sapo fora da água se não houver nenhum reflexo que indique a presença da água.
Para imagens relativamente próximas de documentos, fotos e pequenos objetos tridimensionais, num ambiente onde a luz seja bem controlada, gelatinas polarizadoras postas nos refletores apontados para o objeto num ângulo de 45 graus dos dois lados da câmera vão maximizar a eficiência na redução do brilho do polarizador na lente da câmera. A câmera, neste caso, está apontada diretamente para a superfície do objeto, e não num outro ângulo. Os polarizadores dos refletores devem estar ambos no mesmo sentido perpendicular ao da lente. Mais uma vez, é possível julgar o efeito observando o polarizador.
Filtros de Efeitos Especiais
Informações Gerais
Os tipos de filtros abaixo são encontrados em uma grande gama de graus, úteis tanto para imagens coloridas ou p&b. Eles não têm fator filtro recomendado, mas podem requerer compensação de exposição, com base em várias coisas. Filtros que diminuem o contraste ou criam flare, farão mais efeito quando o contraste e/ou a intensidade da luz é alta. Assim, quanto mais luz houver, mais efeito eles imprimem. O mesmo filtro, em duas condições de luz diferentes, pode produzir efeitos diferentes. Quanto aos filtros de difusão ou aos filtros que suavizam a imagem, quanto mais contrastada for a cena, mais definição ela aparentará, exigindo, assim, mais difusão do que as cenas de menor contraste. As exigências da difusão também variam de acordo com outras condições. Formatos de filme menores necessitam de menos difusão, assim como a projeção em tela larga. O filme colorido exige menos difusão que o filme preto-e-branco. Produções em película feitas para televisão podem exigir maior grau de difusão, para que ela se mantenha durante a transição. Essas relações devem levá-lo a escolher a exposição e o grau do filtro com base na situação e nas suas experiências pessoais. É sempre recomendável fazer testes prévios, quando for possível.
Filtros de difusão
Muitas técnicas diferentes foram desenvolvidas para tornar difusa a luz formadora da imagem. Versões mais fortes podem 'embaçar' a imagem, deixando-a com um efeito de sonho. Em versões mais sutis, a difusão pode suavizar rugas para remover os anos do rosto de uma pessoa. Todos os efeitos ópticos envolvem o desvio de parte da luz formadora da imagem de seu trajeto original, desfocando-a.
Um dos primeiros filtros de difusão "para retratos", ainda em uso até hoje, são as redes (nets). Malhas finas, como meias-calças, esticadas diante da lente, fazem com que um rosto pareça mais jovial e perfeito. Recentemente, esse efeito pode ser conseguido com filtros de vidro óptico de tamanho padronizado, a série Tiffen Softnet. Eles funcionam por meio da 'difusão seletiva'. Têm maior efeito em detalhes pequenos, tais como rugas ou defeitos da pele, do que no resto da imagem. Os espaços abertos da malha transmitem a luz sem modificá-la, preservando a aparência de definição geral da imagem. A luz que atinge a superfície lisa ou as linhas da rede, no entanto, é refletida ou absorvida. Uma malha de cor clara refletirá o suficiente para colorir as sombras, seja clareando-as - o que diminui o contraste - seja acrescentando sua cor a essas sombras, ao mesmo tempo em que não afeta as áreas de altas luzes. O efeito de difusão, no entanto, é produzido pela refração da luz que atinge exatamente as bordas das linhas da rede. Essa luz é desviada em um ângulo diferente, modificando a sua distância para o plano do filme, pondo-a fora de foco. Isso tem, proporcionalmente, mais efeito em detalhes menores do que em elementos maiores da imagem. O resultado é que menos rugas ou defeitos ficam visíveis num rosto que, de outra forma, manteria uma aparência geral relativamente definida.
Quando mais fina for a malha, maior a área da imagem que será coberta pelas linhas da malha, e mais forte será o efeito. Às vezes, são usados mais de um filtro para produzir efeitos ainda mais fortes.
Como acontece com qualquer filtro que tem um padrão distinto, assegure-se de que a profundidade de campo não faça com que as linhas do filtro se tornem visíveis na imagem. Se você usar diafragmas bem fechados ou lentes de menor distância focal, é mais provável que isso aconteça, assim como usar formatos menores de filme, tais como o 16 mm, em comparação com o 35 mm, com um mesmo campo de visão. Em geral, aberturas médias ou grandes de diafragma são melhores, mas é preciso fazer testes em situações críticas.
Quando usar a difusão para melhorar a aparência e o rosto de um ator, é importante não chamar a atenção para a presença do filtro, em especial quando usar graus mais fortes de difusão, se a difusão não for necessária em todos os pontos da imagem. Pode ser desejável difundir levemente os planos adjacentes, mesmo que eles não exigissem isso por si sós, para assegurar que o uso de um filtro forte em uma cena não fique óbvio.
Ao usar difusão nos rostos, é especialmente importante que os olhos não fiquem demasiado suaves ou embaçados. Esta é a idéia que está por trás do que pode ser chamado de filtros de difusão circular. Uma série de círculos concêntricos, às vezes com algumas linhas radiais adicionais, é desenhada na superfície de um filtro clear. Esses padrões têm o efeito de desviar seletivamente a luz de sua trajetória, de um modo um pouco mais eficiente que as redes, mas numa direção radial. Isso exige que o centro da série de círculos esteja alinhado com os olhos de um dos atores, o que nem sempre é algo fácil - ou possível - para manter os olhos bem-definidos. O resto da imagem sofrerá o efeito da difusão.
Uma variação desse conceito de manter o centro do filtro sem efeito nenhum é o filtro Center-Spot. Este é um filtro de uso especial que tem um grau moderado de difusão ao redor de uma área central transparente que, geralmente, é maior que o centro do filtro de difusão circular descrito acima. Use-o para ajudá-lo a isolar o objeto principal de seu enquadramento, que será mantido no centro transparente do filtro, enquanto o fundo da imagem sofrerá a difusão, em especial em situações em que o uso uma lente longa ou a diferenciação por profundidade de campo não forem possíveis.
Outro tipo de difusão é a dispersão de pequenos "pontos", ou de formas refratárias dispersas numa superfície óptica transparente. Essas formas podem ser circulares ou em formato de diamante. São capazes de difundir a luz com uma seletividade mais eficiente do que as redes, e não têm necessidade de ser alinhadas com os olhos da personagem. Eles não diminuem o contraste e não dão cor às sombras, como fazem as redes. Esses corpos refratam a luz através de sua superfície, e não somente em suas bordas. Para qualquer espaço aberto através do filtro, que se relaciona com a definição geral da cena, eles podem disfarçar mais detalhes pequenos e com mais eficiência do que os filtros em forma de rede. Um desenvolvimento mais recente, a série Tiffen Soft/FX traz uma série de padrões minuciosamente detalhados, feitos de pequeninos corpos, cada um com um grau maior de curvatura, com mais poder óptico, do que os desenvolvidos pelos 'corpos' mencionados acima. Isso produz uma eficiência máxima na difusão seletiva para qualquer nível de definição geral.
Os tipos de filtros acima, apresar de serem mais freqüentemente usados para 'retratos', também são usados sempre que a definição geral for muito alta, e precisa ser levemente alterada.
Filtros Sliding Diffusion
Quando você quiser tentar "afinar" o uso do filtro de difusão no meio de uma seqüência, pode ser muito útil poder variar o nível do efeito enquanto estiver filmando. Isso pode ser feito pelo emprego de um filtro de tamanho grande, com efeito de difusão graduado ao longo de sua extensão. Ele deve ser montado para permitir que seja movimentado até que o grau de difusão apropriado esteja diante da lente, o que pode ser feito enquanto a câmera estiver rodando. Quando precisar de mudanças ainda mais sutis, pode-se manter uma difusão consistente ao longo da imagem enquanto se varia a intensidade de difusão geral, usando uma combinação de filtros de 'graduação oposta'.
Fog, Double-Fog e Pro-Mist
Um fog natural faz com que a luz forme brilhos e reflexos. Geralmente o contraste é mais baixo, e a definição também pode ser afetada. Os filtros Fog mimetizam esse efeito causado por gotas mínimas de água suspensas no ar. O brilho suave pode ser usado para tornar a iluminação mais visível, para que ela seja melhor percebida pelo espectador. O efeito de umidade de uma cena 'tropical', por exemplo, pode ser criado ou reforçado. Em graus menores, esses filtros podem tirar o excesso de contraste e de definição. Os graus mais fortes podem criar efeitos não-naturalistas, para seqüências fantásticas, por exemplo. Entretanto, no geral, o efeito de um fog natural forte não é produzido pelo filtro Fog em seus graus mais fortes com exatidão. Isso acontece porque eles são muito pouco nítidos, com muito contraste, para reproduzir fielmente o efeito de um fog natural denso. Para isso, são recomendáveis os filtros Double Fog.
Os filtros Double Fog têm um flare mais ameno e características mais suaves do que o filtro Fog normal, ao mesmo tempo em que exibem um efeito maior sobre o contraste, em especial em seus graus mais fortes. Um fog natural denso ainda permite que objetos próximos sejam vistos com definição. É assim que o filtro Double Fog trabalha. O segredo desse efeito é o contraste bem menor, combinado com uma quantidade mínima de flare em altas luzes.
O filtro Pro-Mist geralmente produz um flare em altas luzes que, por estar mais próximo da fonte de luz, parece mais um halo do que o brilho alongado de um filtro Fog. O Pro-Mist cria um brilho quase perolado nas altas luzes. Os graus mais leves do filtro são usados também para diminuir a definição e o contraste excessivos de filmes e lentes modernos, sem prejudicar a imagem. Os filtros Black Pro-Mist também suavizam moderadamente a imagem e criam um flare de nível médio em altas luzes, mas sem afetar tanto as sombras.
Filtros para controle de contraste
Há muitas situações, tais como em exteriores com luz do sol forte, em que é difícil manter o contraste apropriado. Expor para as altas luzes ou para as sombras fará com que a outra região fique subexposta ou superexposta demais. Os filtros Tiffen Low Contrast criam uma pequena quantidade de flare "localizado", próximo às áreas de altas luzes dentro da imagem. Isso reduz o contraste ao iluminar as áreas de sombra ao redor, deixando as altas luzes praticamente sem modificações. Os filtros Tiffen Soft Contrast possuem um elemento que absorve a luz, e que, sem compensação de exposição, reduzirá o contraste ao escurecer as altas luzes também. Use este último quando não desejar ter sombras claras. Em ambos os casos, o flare suave produzido pelas altas luzes pode ser usado como efeito de iluminação.
Um outro tipo de filtro desenvolvido mais recentemente reduz o contraste sem produzir flare localizado. A série de filtros Tiffen Ultra Contrast utiliza a luz ambiente ao redor, e não só a luz na imagem, para clarear uniformemente as sombras. Utilize-o quando o controle de contraste é necessário sem que nenhum outro efeito na definição ou nenhum flare das altas luzes fique aparente.
Filtros Star Effect
A iluminação pode ser melhorada de maneiras que vão além das que existem na natureza. Os filtros Star criam pontos de luz semelhantes a "estrelas", se abrindo a partir de uma fonte de luz central. Isso pode dar à luz da cena um ar mais cintilante e glamouroso. Este efeito é produzido por uma série de linhas desenhadas na superfície óptica plana de um filtro clear. Estas linhas agem como lentes cilíndricas, difratando os pontos de luz e formando longas e finas linhas de luz que correm em sentido perpendicular ao das linhas desenhadas no filtro. Linhas horizontais no filtro produzem as linhas verticais das estrelas.
O tamanho e o brilho das linhas das estrelas são, em primeiro lugar, medidas em função do tamanho, formato e brilho da fonte de luz. Você conseguirá um controle adicional por meio da escolha de um determinado espaçamento entre as linhas do filtro. Em geral, esses espaçamentos são medidos em milímetros. Um espaçamento de 1 mm tem duas vezes mais linhas do que um espaçamento de 2 mm. O espaçamento de 1 mm produzirá uma estrela mais brilhante a partir de qualquer fonte de luz. Os espaçamentos disponíveis costumam ir de 1 mm a 4 mm, mas também há espaçamentos maiores ou menores para efeitos especiais.
O número de sentidos em que as linhas são feitas no filtro determina o número de pontas da estrela produzida. Se só houver linhas em um sentido, a estrela produzida terá duas pontas, fazendo somente um facho, que corre pelo centro da fonte de luz. Existem filtros para produzir estrelas de 4, 6, 8 ,12 ou mais pontas. No caso dos filtros para estrelas de 8 ou 12 pontas, as várias linhas tenderão a chamar muita atenção dentro da imagem e, por isso, é preciso usá-los com cuidado. Apesar de os tipos de estrelas mais comuns terem um arranjo simétrico de pontas, as estrelas também podem ser feitas com formatos assimétricos, que tendem a parecer mais 'naturais', menos simétricas. Exemplos destes últimos tipos de filtros são os filtros Tiffen Vector-Star, Tiffen Hyper-Star, Tiffen North-Star e Tiffen Hollywood Star.
Como acontece com qualquer filtro de padrão distinto, assegure-se de que a profundidade de campo não faça com que as linhas do filtro se tornem visíveis na imagem. Se você usar diafragmas bem fechados, ou lentes de menor distância focal, é mais provável que isso aconteça, assim como usar formatos menores de filme, tais como o 16 mm, em comparação com o 35 mm com um mesmo campo de visão. Em geral, aberturas médias ou grandes são melhores, mas é aconselhável fazer testes em situações críticas.
Filtros para P&B
Filtros de Controle Tonal
O filme preto-e-branco só registra diferenças tonais entre objetos coloridos, que aparecem como sendo pretos, brancos ou de diferentes tons de cinza. A saturação apropriada depende do que você quer, e, no caso do filme, das diferenças entre a sensibilidade do filme para cores e a sensibilidade do olho. Isso se deve ao fato de que a maioria das emulsões pancromáticas usadas são mais sensíveis ao azul, violeta e ultravioleta do que para qualquer outra cor. Assim, o azul aparece no filme como se fosse mais claro do que ele é ao olho. Isso pode fazer com que um céu fique claro o suficiente para ser impresso num tom de cinza igual ao das nuvens, o que fará com que as nuvens 'desapareçam'. Uma presença mais 'correta' das nuvens pode ser obtida pelo uso de um filtro amarelo, como o Wratten #8, que absorve a luz azul, escurecendo o céu para que ele se aproxime mais da forma como é visto pelo olho humano. O Wratten #8 também age como um compensador geral para a maioria dos objetos, dando uma saturação tonal similar ao do olho. Cores mais profundas, próximas ao limite vermelho do espectro de cor, como os filtros Wratten #15 (amarelo profundo) #16 (laranja) e #25 e #29 (vermelhos) produzirão uma saturação cada vez mais profunda e artificialmente dramática do céu azul.
Lembre-se de que, uma vez que o filtro age nas diferenças de cores para produzir diferenças de tom, as cores desejadas devem estar presentes. A parte do céu que você quer registrar deve estar azul para ser afetada pelo filtro. Partes do céu que estão mais próximas do sol, ou próximas do horizonte, são, em geral, menos azuis do que as outras regiões. O uso de filtros de densidade neutra graduados pode escurecer o céu em relação à imagem de frente, mas isso não aumentará o contraste entre o céu azul e as nuvens. Na maioria das situações em que o ajuste do contraste de cores e de tons está envolvido, esses filtros funcionam da mesma forma tanto para vídeo quanto para películas P&B.
O uso de filtros para o controle de contraste pode ser uma questão de preferência artística, ou de necessidade. É possível que duas cores diferentes - digamos, laranja e azul - sejam registradas num tom idêntico, eliminando qualquer diferença visível entre eles. Os filtros clareiam os objetos de cores semelhantes a sua cor, e escurecem os objetos cuja cor é seu complemento. Os pares de cores complementares são: verde-vermelho; laranja-azul; violeta-amarelo. Um filtro laranja, no caso acima, escurecerá o azul e clareará o laranja; um filtro azul fará exatamente o contrário.
Um filtro verde, como o Wratten #11, pode ser usado para clarear a folhagem verde e para mostrar mais detalhes. Também pode ser usado para dar tons de pele mais agradáveis, em especial contra o céu azul.
Qualquer filtro usado para os fins acima mencionados terá um maior efeito se estiver ligeiramente sub-exposto. A função do filtro depende da absorção da luz de suas cores complementares para aumentar a proporção da luz de cor semelhante à sua. A compensação de exposição pode ser necessária, para permitir uma densidade de imagem apropriada, mas a diferença relativa será reduzida, se houver adição da luz nos comprimentos de onda absorvidos por meio da exposição adicional.
Filtros para cores
Informações Gerais
O registro de cores envolve mais conhecimentos sobre fontes de luz do que os filmes P&B. A luz do sol, a luz do dia, a iluminação exterior para diferentes horários do dia, a luz incandescente, fluorescente e também outras fontes artificiais de luz, todas elas têm características de cor que variam significativamente. Vemos as imagens através dos nossos olhos logo que elas são processadas pelo nosso cérebro, que tem a habilidade de fazer certos ajustes no modo como percebemos as cores. O branco será sempre branco aos nossos olhos em várias luzes diferentes, desde que não tenhamos mais que um tipo de luz visível de cada vez. O filme não tem esse tipo de compensação interna. Ele é feito para ver somente um determinado tipo de luz como sendo luz branca - e todas as outras luzes parecerão diferentes, na medida de sua diferença real. São necessários filtros para dar a afinação ideal.
Sabendo que a luz é uma forma de energia, podemos visualizá-la teoricamente como energia emitida por um objeto aquecido, geralmente denominado 'corpo negro', que emite luz em função de sua temperatura. A cor dessa luz pode ser medida em graus Kelvin (1K). Os tipos de luz encontrados normalmente podem ser categorizados em algumas temperaturas de cor pré-determinadas, ou podem ser medidas com um termo-colorímetro.
Filtros de conversão de cor
Filtros de conversão de cor são usados para corrigir diferenças mensuráveis nas temperaturas de cor entre o filme e a fonte de luz. Esse grupo de filtros compreende tanto a série Wratten #80 (azul) quanto Wratten #85 (âmbar). Por serem usados freqüentemente em exteriores, na luz do sol forte, a série #85, em especial o #85 e o #85B, também são encontrados em combinação com vários filtros de densidade neutra para controle de exposição.
Filtros de Balanceamento de Luz
Filtros de balanceamento de luz são usados para fazer correções menores na temperatura de cor. Esses filtros são as séries Wratten #81 (amarelado) e o Wratten #82 (azulado). Eles podem ser usados em combinação com vários filtros de densidade neutra para controle de exposição. Podem ser usados em combinação com filtros de conversão de cor. Alguns filtros da série #81 podem também ser encontrados em combinação com vários filtros de densidade neutra para controle de exposição.
Filtros de compensação de cor
Filtros de compensação de cor são usados para fazer ajustes às características do vermelho, azul ou verde da luz. Eles são usados na correção de balanceamento de cor, em variações da fonte de luz, em diferentes lotes de filme reversível e em outros efeitos de cores. São encontrados em várias densidades de Ciano, Magenta, Amarelo, Vermelho, Azul e Verde.
Filtros Decamired
Os filtros decamired foram criados para lidar mais facilmente com variações de temperatura de cor mais raras do que os filtros anteriores. Disponíveis em incrementos das séries vermelha e azul, os filtros Decamired podem ser prontamente combinados para criar praticamente qualquer correção necessária. Ao medir a temperatura de cor da fonte de luz, e ao compará-la com a temperatura para qual o filme foi produzido, podemos prever muito bem a filtragem necessária.
Um filtro que produz uma mudança de temperatura de cor de 100 K a 3400 K produzirá uma mudança de 1000 K a 10 000 K. Isso acontece porque o filtro se relaciona com uma escala visual de cores. Ele sempre produzirá a mesma diferença visível. Uma mudança de cor de 100 K na mais alta temperatura dificilmente seria percebida.
Para permitir cálculos simples de tais diferenças, convertemos a temperatura de cor ao seu inverso, ou seja, dividimos 1/x. Então, já que o resultado provavelmente será um número de seis ou mais casas decimais, nós o multiplicamos por 106, ou por um milhão, por conveniência. Este é o chamado 'mired value', para graus micro-inversos. Ele identifica a mudança específica introduzida pelo filtro de um modo que não se refere à real gama de temperatura envolvida.
Para compreender melhor, vamos ver as seguintes mudanças de temperatura de cor, com diferença tanto em graus quanto em mired values. Os primeiros números são em Graus Kelvin, e os números entre parênteses são os mired values:
9100 (110) para 5900 (170) = diferença de 3200 (60)
4350 (230) para 3450 (290) = diferença de 900 (60)
4000 (250) para 3200 (310) = diferença de 800 (60)
A partir disso, você pode ver que, apesar da diferença em graus variar à medida em que o nível muda, a diferença real de filtragem nesses exemplos, em mired values, é a mesma.
Para usar esse conceito, subtraia o mired value da fonte de luz do mired value do filme. Se o resultado for positivo, você precisará de um filtro avermelhado; se o resultado for negativo, use um filtro azulado. Filtros coordenados por mired values são chamados filtros decamired. A diferença de 60 mired, acima, seria produzida por um filtro R6, em que os maiores valores eram os da iluminação. Conjuntos desses filtros geralmente vêm em valores de 1,5, 3, 6 e 12 decamireds tanto nas cores B (azulado) quando R (avermelhado) Esses números podem ser adicionados; ou seja, dois R3 produzem um R6. Um R6 mais um B6 se cancelam mutuamente para produzir um cinza neutro.
Luz Fluorescente e outras correções para Espectros de Luz Descontínua
Uma vez que os filtros nunca acrescentam uma cor, mas somente absorvem seus comprimentos de ondas para aumentar a proporção relativa de outras cores, a fonte de luz original deve ter as cores de que você precisa, para começo de conversa. Algumas fontes são totalmente deficientes em certos comprimentos de onda, que não podem ser adicionados somente com o uso de filtros. Isso é particularmente válido para muitos tipos de luz de halidos de metal. Com outros tipos de iluminação, tais como a fluorescente, a medição de temperatura de cor pode não indicar o filtro correto necessário, já que a teoria da temperatura de cor é baseada no espectro contínuo, o que significa ter luzes de todos os comprimentos de onda. É possível que uma fonte de luz tenha uma distribuição do espectro que imite uma temperatura de cor que possa ser corrigida, quando medida, mas seu efeito no filme pode ser bem diferente.
A iluminação fluorescente geralmente produz uma cor esverdeada. Cada um dos muitos tipos de luz varia em suas cores, e pode ser difícil saber precisamente a correção, mesmo com um termo-colorímetro, um conjunto de filtros CC e com testes filmados. No entanto, existe um tipo de filtro disponível desenvolvido como uma correção média para as lâmpadas fluorescentes mais comumente encontradas.
Esse tipo de filtro, quando produzido pela Tiffen, é chamado FL-D, para ser usado com negativo balanceado para daylight, ou FL-B, para ser usado com negativo balanceado para tungstênio. Ambos são produzidos para render cores boas a excelentes sob luz fluorescente, sem a necessidade de um termo-colorímetro e de uma variedade de filtros CC.
Iluminação Mista
Algumas vezes surge a questão: o que fazer quando há mais de um tipo de iluminação na cena? A chave para resolver esse problema é, antes de tudo, tentar fazer com que todas as fontes de luz se comportem da mesma maneira. Isto é, escolher uma luz que predomine, corrigir a câmera para essa luz e corrigir as outras luzes com gelatinas apropriadas. Você pode converter a luz do dia que entra por uma janela com uma gelatina colocada sobre essa janela, o que fará com que essa luz do dia tenha a mesma temperatura de cor da luz de tungstênio predominante, ou mesmo da luz fluorescente, que predomina no ambiente interior. Corrija a câmera para esse tipo de luz. Há muitas combinações como essa que vão funcionar; algumas vezes, escolher qual delas é melhor é uma questão de economia. Filtrar todas as lâmpadas fluorescentes de um ambiente muito grande - ou usar filtros em forma de tubos - pode ser muito mais caro que simplesmente gelatinar uma ou outra janela.
Se não há como corrigir todas as luzes para uma única temperatura de cor, tente minimizar a invasão daquelas que você não pode corrigir na câmera. Às vezes, isso pode ser utilizado com vantagens. A luz azul fria vinda de fora por meio de uma janela pode fazer o interior iluminado por tungstênio parecer muito mais quente e acolhedor. Uma vez que a cor 'normal' está ao seu alcance, uma variação pode freqüentemente ser melhor. Tudo depende das suas intenções, e da história que você quer narrar.
Color-Grad - Filtros Coloridos Graduados
Assim como os filtros ND graduados (veja a seção anterior para mais detalhes) filtros Color-Grad coloridos também são fabricados numa enorme gama de cores, densidades e proporções padronizadas e feitas sob medida, para muitos usos. Um filtro Azul/Clear pode acrescentar azul a um céu branco, enevoado, sem afetar as imagens de frente. Um filtro Laranja/Clear pode dar mais vida a um pôr-do-sol meio sem graça. As cores também podem ser acrescentadas à parte inferior do quadro, como acontece com o filtro Verde/Clear, usado para enriquecer a aparência de gramados.
Filtros com faixas de cores são outro tipo de filtros graduados. Eles têm uma faixa estreita de cor ou de densidade neutra, atravessando o centro do filtro, graduando para clear em ambos os seus lados. Eles são usados, em geral, para colorir horizontalmente faixas de várias cores no céu, assim como para balancear a cor de áreas estreitas.
Filtros Coral
À medida que o sol se move pelo céu, a temperatura da cor de sua luz muda. Algumas vezes é necessário compensar essa variação pequena à medida que o tempo passa, para que os planos adjacentes pareçam como se acontecessem todos no mesmo momento do dia. Os filtros coral são um conjunto de filtros de diferentes graus, com uma cor parecida com os filtros de conversão da série 85. Do mais leve ao mais forte, qualquer efeito desde correções básicas até cores mais quentes ou mais frias do que o "normal" é possível.
Os filtros coral também podem compensar o efeito azul demasiadamente frio da tonalidade da luz exterior.
Filtros Sépia
As pessoas costumam associar as imagens em tons de sépia com os 'tempos antigos'. Isso faz com que os filtros Sépia sejam ferramentas úteis para produzir flashbacks críveis e para efeitos temporais em filmes coloridos. As outras cores continuam visíveis, o que difere da fotografia com o tom sépia original, mas serão afetadas por uma tonalidade sépia geral.
Filtros 812
O Tiffen 812 é um filtro levemente quente. Ele é usado para acrescentar cor aos tons de pele. Os reflexos azulados da pele negra também podem ser reduzidos. O 812 é tão útil que é fabricado também em combinação com outros efeitos. São as chamadas versões "quentes" dos filtros Pro-Mist, Soft/FX, Polarizador e de outros.
Filtros Didymium
O filtro Tiffen "Enhancing" é uma combinação de vidro com elementos raros do solo. Ele remove completamente uma porção do espectro na região laranja. O efeito causado é mais da intensidade de saturação de cor de objetos de tons de marrom, laranja e vermelho, ao eliminar os tons de terra e ao maximizar os elementos do maravilha e do escarlate. Seu uso mais freqüente é obter cores saturadas da folhagem de outono. O efeito é mínimo em objetos de outras cores. Os tons de pele podem ficar demasiadamente quentes. Mesmo depois de marcação de luz ou de correções posteriores para balancear qualquer tendência indesejada nessas outras áreas, o efeito sobre objetos avermelhados ainda será aparente.
Filtros Subaquáticos para Correção de Cores
Quando você filma cenas subaquáticas, a luz que você registra é filtrada pela água por que ela passa. Os laranjas e vermelhos, de comprimento de onda mais longo, são absorvidos, até que somente o azul permanece. O efeito verdadeiro é determinado por numerosos efeitos, tais como a fonte de luz (artificial ou o sol), a qualidade da água e a trajetória na água. Essa trajetória é a distância que a luz atravessa dentro da água. Em luz natural (do sol), a distância é medida pela profundidade do objeto com relação à superfície, mais a distância do objeto até a câmera. Para luz artificial, a distância deve ser medida da fonte de luz, até o objeto, mais a distância do objeto até a câmera. Quanto maior for a trajetória na água, maior será o efeito de filtragem da água. Em muitos casos, alguns filtros de compensação de cor podem absorver suficientemente os comprimentos de onda mais curtos para restaurar um melhor equilíbrio de cores. A diferença entre as cores corrigidas e não-corrigidas pode ser dramática. O uso de filmes mais rápidos, de câmeras (vídeo) e lentes facilitará o uso de filtros corretores de luz absorvida.
As Diferenças entre a Correção de Cores na Câmera e no Laboratório (Filme e Vídeo)
É trabalho do marcador de luz do laboratório afinar as cores finais do filme. Isso explica as variações de exposição, de lotes de filmes e de processamento. A marcação de luz também pode ser usada para produzir certos efeitos de cor, que se referem às densidades disponíveis no negativo a ser trabalhado, e são limitados ao número de variações do equipamento óptico. Essas variações são muito mais limitadas do que a quantidade de cores do mundo real e o número de maneiras como os ajustes podem ser feitos na câmera. A filtragem na câmera traz ao laboratório a possibilidade de atingir um resultado muito mais próximo do desejado, oferecendo uma grande variação de opções de marcação de luz. A mesma coisa é válida para a correção de cores em produções em vídeo.
Em película, haverá momentos em que contar com o laboratório é a única solução, ou em que ele poderá produzir algum efeito incomum. Quando você estiver numa situação de baixa luz daylight, com negativo balanceado para tungstênio, pode ser necessário, por razões de exposição, retirar o filtro 85 e corrigir a cor na marcação. No entanto, quando você faz isso, os tons de cinza neutro podem ficar levemente amarelados, mesmo se todo o resto parecer correto. Esse efeito pode ser usado para melhorar a cor verde viçosa da folhagem, mas não atingirá o mesmo resultado que você teria se tivesse usado o filtro 85.
LL-D
O LL-D foi projetado para ajudar na situação acima descrita. Ele não exige nenhuma compensação de exposição, e faz ajustes suficientes ao filme para permitir que o marcador de luz consiga a cor de uma imagem como se fosse feita com o filtro 85 apropriado. Esse filtro não substitui completamente o 85. Use-o somente quando foi necessário por razões de exposição e em trabalhos em que você vai fazer marcação de luz mais tarde.
Filtros de Uso Especial
Visores de Contraste
Balancear a luz a olho é uma questão de experiência. As decisões podem ser ajudadas pelo uso de um visor de contraste. Eles são feitos para limitar a visão do olho (que tem uma latitude de densidades aparentes muito maior), de modo a se assemelhar com os vários tipos de filme. Use os visores de contraste para julgar as densidades relativas das altas luzes e das sombras. Há visores para filmes P&B, assim como há vários visores de diferentes densidades para filmes coloridos. Um visor mais escuro é usado para filmes mais lentos, em que você tende a usar luzes mais fortes. Filmes mais rápidos, que podem ser usados em cenários menos iluminados, exigem um visor mais claro.
O visor Tiffen #1 é feito para filmes P&B. O visor #2 é usado para filmes até ASA 100; o #3 é feito para filmes mais rápidos. Podem ser usados também para vídeo, sendo que o #3 é mais apropriado para níveis mais baixos de luz. O visor verde #4 é feito para fotografia de efeitos. O #5 é feito para trabalhos com blue screen, e também para afinar as cores de monitores de vídeo.
Noite Americana
A fotografia de noite americana é um efeito que faz uma cena feita em luz do dia parecer uma cena em lusco-fusco. Isso é geralmente conseguido pelo uso de um filtro que sub-expõe cerca de dois pontos no diafragma e que produz um tom azulado. A iluminação, o contraste e outros elementos contribuem para o maior realismo do efeito.
Lentes para Close-Ups e Dióptros Split-Field
Lentes para close-ups permitem que o foco fique mais próximo do que seria possível com uma lente comum. Elas são ideais para filmagens de natureza. Se essa lente for cortada ao meio, ela se torna uma lente Tiffen Split-Field. Esta lente pode ser usada para ter dois campos de foco, um muito próximo e o outro muito longe, num único plano.
Outras Considerações sobre Filtros
Efeitos de Profundidade de Campo e Mudanças de Distância Focal
Os filtros de cor normais, em geral, funcionam sem mudança nenhuma quando acontecem variações de profundidade de campo e distância focal. Mas os filtros de efeitos especiais nem sempre são assim. Não há nenhuma regra fixa para prever a variação no efeito dos filtros com relação à profundidade de campo ou a mudanças na distância focal. No entanto, há algumas coisas que podemos esperar que aconteçam. Vejamos os filtros de fog/mist, que causam um brilho na luz, ou um flare. Tomemos o exemplo de um certo grau do filtro em que vemos que a razão entre o diâmetro da luz e do diâmetro do brilho ao redor dela (causada pelo filtro) é 1 : 3. Enquanto observamos esse efeito durante uma mudança de distância focal, veremos que a razão permanecerá a mesma, apesar de o aumento dos tamanhos variar de acordo com a mudança. Por isso, a decisão de usar um filtro de diferente grau, para manter uma certa aparência em diferentes distâncias focais se baseará em querer ou não modificar a razão dos diâmetros, em oposição a qualquer outra relação correspondente. É recomendável fazer testes em situações críticas.
Tamanhos, formatos e Técnicas de Montagem
Os filtros são encontrados em formatos circulares e retangulares em muitos tamanhos. Filtros circulares geralmente vêm com anéis de metal que são encaixados diretamente nas lentes. Usuários eventuais de filtros podem achar preferível usar adaptadores que permitam o uso de um conjunto de filtros de um mesmo tamanho com qualquer lente de tamanho igual ou menor. Os filtros circulares também podem ter um suporte rotatório, quando for preciso, como para polarizadores. Podem ser rapidamente postos em combinações. Filtros retangulares exigem o uso de um porta-filtro especial, um pára-sol (matte box). Eles oferecem a vantagem de ter um mecanismo de deslize, para efeitos que precisam ficar alinhados com precisão à imagem, tais como os filtros graduados. Em todos os casos, é aconselhável usar um sistema de encaixe que permita um apoio seguro e a manipulação rápida. Além disso, o uso de um pára-sol na última posição (da lente) minimiza o efeito dos raios refletidos fora do eixo da lente.
Uso de vários filtros
Quando o uso de um único filtro não é o suficiente para produzir os resultados desejados, use combinações de filtros. Escolha com cuidado, para minimizar o número de filtros necessários. Em geral, o trabalho pode ser feito com não mais que três filtros. Use filtros que acrescentem algo ao efeito final individualmente, sem que eles se cancelem um ao outro. Por exemplo, não use um polarizador, que aumenta a saturação de cores, combinado com filtros de baixo contraste, que diminuem a saturação de cores, a não ser que isso tudo seja usado por alguma razão forte (se o polarizador estiver tirando reflexos, por exemplo). Em geral, a ordem em que eles são colocados não é importante.
Reflexos Secundários
A iluminação pode causar flare, em especial quando usamos mais de um filtro. As luzes na imagem causam as maiores dificuldades. Elas podem se refletir nas superfícies dos filtros e causar reflexos secundários indesejáveis. Manter o paralelismo dos filtros e alinhar as luzes na imagem com os reflexos secundários, quando for possível, pode minimizar o problema. Em situações críticas, pode ser melhor usar um porta-filtros que possa ser inclinado. Inclinar um filtro de boa qualidade óptica em apenas alguns graus pode desviar o reflexo secundário do eixo da lente para fora da imagem, sem introduzir distorções indesejáveis ou mudanças notáveis no efeito do filtro.
Filtros Feitos sob Medida (Feitos em Casa e Field-Ready)
Haverá momentos em que você precisará de um efeito e não terá tempo para obter um filtro fabricado. Certos efeitos que podem ser produzidos, apesar de serem diferentes dos filtros fabricados industrialmente, são úteis na hora do aperto, ou em situações incomuns. Efeitos de difusão por rede podem ser produzidos da maneira como eram originalmente, esticando e fixando uma ou mais camadas de malha - como de meia calça feminina - sobre a lente, presa com um elástico. Há também várias coisas que você pode fazer se tiver um (ou alguns) filtro clear disponível. A vaselina pode causar flare ou difusão, ou até mesmo linhas em forma de estrelas, dependendo do modo de aplicação sobre um filtro clear, espalhado com o dedo ou com tecido. A maior vantagem aqui é que o efeito pode ser aplicado somente em partes escolhidas do quadro. Respirar sobre o filtro clear também pode produzir um efeito interessante, ainda que temporário, com resultados semelhantes a fog. Usar gelatinas cortadas pode simular certos efeitos de filtros graduados. Quando fizer isso, assegure-se de manter o filtro bem perto da lente, e use diafragmas mais abertos, para manter o limite visível o mais suave possível. |